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As plantas ajudam a vender? A seguir as estatísticas

Última atualização: 23 de Agosto de 2026

Sim — mas praticamente todas as estatísticas que leu sobre isto vêm de uma só fonte: um inquérito da Rightmove a mais de 10.000 pessoas, publicado em 2013. O original concluiu que os anúncios com planta recebiam até 30 % mais interesse, que 1 em cada 5 compradores ignora um anúncio sem planta e que 1 em cada 10 nunca marca uma visita sem ter visto uma primeiro. Os números maiores que hoje circulam — «52 % mais cliques», «vistas 7,5 vezes mais do que os mapas» — aparecem no marketing dos fornecedores mas não no estudo a que são atribuídos.

Seguimos a cadeia de citações porque queríamos usar estes números nós próprios. Esta página é o que encontrámos.


O estudo original, e o que dizia mesmo

O ponto central desta página é que por trás de toda a literatura do «as plantas vendem casas» está essencialmente uma só fonte primária, e tem treze anos.

A Rightmove — o portal imobiliário dominante no Reino Unido — inquiriu mais de 10.000 pessoas e publicou os resultados em 2013. As conclusões relatadas:

ConclusãoNúmero
Os anúncios com planta recebiam mais interesseaté 30 % mais
Compradores que ignoram um anúncio sem planta, ou que só lá voltam se mais nada os agradar1 em cada 5
Compradores que nunca marcariam uma visita sem ter visto antes uma planta1 em cada 10
Vendedores que classificam a importância de uma planta em 7/10 ou mais78 %
Inquiridos que não dariam o mandato a um mediador que não fornecesse plantamais de metade

Fonte: Rightmove floor plan study, 2013, relatado por Metropix e por The Plan Portal.

Em resumo: a direção da conclusão é sólida e consistente. O que se degradou ao ser repetido foi a precisão.


Como os números cresceram

Procure hoje estatísticas sobre plantas e encontrará um conjunto diferente e maior — sobretudo «64 % dos compradores querem ver uma planta», «os anúncios com planta recebem 52 % mais cliques», «as plantas são vistas 7,5 vezes mais do que os mapas» e «uma planta reduz para metade o tempo de venda».

Aparecem na CubiCasa, na BoxBrownie e por todo o sector da fotografia imobiliária, normalmente atribuídos à Rightmove e normalmente sem ligação a coisa nenhuma.

Duas coisas merecem reparo.

Primeiro: cada uma dessas páginas vende serviços de plantas. A CubiCasa vende levantamento de plantas. A BoxBrownie vende produção de plantas. A RoomSketcher vende software de plantas. Nós também — é essa a transparência honesta que esta página lhe deve. Todos os que citam estes números têm um interesse comercial em que sejam grandes. Isso não os torna falsos, mas quer dizer que ninguém na cadeia tem incentivo para os verificar.

Segundo: os números não batem certo com o original. «Até 30 % mais interesse» tornou-se «52 % mais cliques» algures pelo caminho, e não encontrámos o estudo onde isso aconteceu. A afirmação «tempo de venda reduzido em 50 %» é a mais frágil do conjunto: não lhe encontrámos fonte primária nenhuma.

A diferença decisiva é a que vai de uma conclusão ao seu eco. Um inquérito de 2013 a 10.000 pessoas é uma prova a sério. Um número numa página de vendas que cita «Rightmove» sem ligação é um eco, e os ecos ficam mais altos.


O que pode concluir sem risco

A conclusão, ao nível de confiança que as provas sustentam:

  1. As plantas aumentam de forma mensurável a atenção dada a um anúncio. Está bem sustentado e verificava-se em todas as fontes que consultámos. Trate «até 30 % mais interesse» como o número defensável.
  2. Uma minoria considerável de compradores toma a falta de planta como motivo para saltar um anúncio. 1 em cada 5 que desiste e 1 em cada 10 que recusa uma visita são os números do original, e são a sua conclusão mais accionável.
  3. Os vendedores esperam uma. Mais de metade disse que não daria o mandato a um mediador que não fornecesse planta. Para um mediador isso vira a questão toda: a planta não é só uma ferramenta de marketing do imóvel, é um sinal de credibilidade no momento em que se ganha o mandato.
  4. Os números exatos de conversão não estão verificados. Use-os se quiser, mas atribua-os à página do fornecedor de onde os tirou, não à Rightmove.
  5. A base de provas precisa de ser renovada. O processo de compra passou para o telemóvel, para o vídeo e para as visitas virtuais desde 2013. Ao que parece ninguém repetiu este estudo, e essa é uma lacuna real no conhecimento do sector, não uma figura de estilo.

O que os compradores querem mesmo na planta

O estudo de 2013 perguntou, e a resposta foi concreta: os compradores querem as medidas das divisões, e querem perceber como as divisões se situam umas em relação às outras — o fluxo do imóvel, não apenas o seu inventário.

É uma fasquia mais baixa do que o sector costuma dar a entender. Quer dizer que a planta útil é:

Em resumo: uma planta clara, cotada e legível no telemóvel faz o trabalho. Uma renderização 3D fotorrealista é outro produto para outro problema.


Quanto custa produzir uma

Há três caminhos, e qual é o certo depende inteiramente do volume.

CaminhoO que custa aproximadamenteServe para
Encomendar por imóvelUm preço por planta num serviço especializadoPouco volume, ou quando já vai um fotógrafo
Aplicação de levantamento com digitalizaçãoUm preço por planta ou uma subscriçãoTrabalho no local, mediadores que medem eles próprios
Desenhá-la você num programaDe grátis a uma licença únicaMediadores que já lá vão e medem

Desenhá-la você só sai mais barato se medir já fizer parte da visita. Se fizer, o custo adicional de uma planta são os vinte minutos que leva introduzir medidas que já tem — o método está em como desenhar uma planta, e as ferramentas em software de plantas gratuito para Mac.

Um aviso que vale para qualquer caminho. Uma planta num anúncio é uma declaração ao comprador, e na maioria dos ordenamentos uma área ou uma medida substancialmente errada é uma informação enganosa com consequências a sério — em Portugal a área oficial é a que consta da caderneta predial e levantá-la compete a um técnico habilitado; no Reino Unido entram as Consumer Protection from Unfair Trading Regulations; em França uma surface Carrez tem de vir de um profissional qualificado. O software desenha o que escrever. Não o torna perito, e nenhum programa de plantas lhe devia dizer o contrário.


Perguntas frequentes

As plantas ajudam mesmo a vender uma casa? Sim. O inquérito da Rightmove de 2013 a mais de 10.000 pessoas concluiu que os anúncios com planta recebiam até 30 % mais interesse e que 1 em cada 5 compradores ignora ou adia um anúncio que não a tem. A direção da conclusão é consistente em todas as fontes, ainda que os números maiores que hoje circulam não se consigam ligar ao estudo original.

Que percentagem de compradores quer ver uma planta? O número mais citado é 64 %, muito espalhado no marketing do sector mas que não conseguimos ligar a fonte primária nenhuma. O que o estudo da Rightmove de 2013 estabeleceu foi que 1 em cada 5 compradores desiste de um anúncio sem planta e 1 em cada 10 recusa de todo uma visita.

A planta é obrigatória num anúncio imobiliário? Não. Em Portugal, no Reino Unido, em França e nos Estados Unidos a planta num anúncio é facultativa — ao contrário do certificado energético, que na União Europeia e no Reino Unido é obrigatório. Mas se publicar uma, ela não pode induzir em erro: uma planta substancialmente inexata pode constituir informação enganosa.

Um mediador pode desenhar as suas próprias plantas? Sim, e muitos fazem-no. Compensa onde o mediador já vai fotografar e medir. As duas condições são que as medidas sejam bem tiradas e que a planta publicada não aumente o imóvel. Uma área declarada que uma avaliação do comprador venha depois desmentir é um problema, seja quem for que a desenhou.

Uma planta 3D é melhor do que uma 2D? Para o fim que as provas sustentam — fazer um comprador perceber a disposição e o fluxo — uma planta 2D clara e cotada faz o trabalho. As renderizações 3D vendem a sensação de um espaço e ficam bem num dossiê, mas nenhum estudo que encontrámos as mostra à frente de uma planta 2D em atenção. O que há a reter: ponha primeiro a planta 2D em ordem; o 3D é um acrescento, não uma melhoria.


Método e transparência

A 23 de Agosto de 2026 procurámos as fontes primárias por trás das estatísticas de plantas mais citadas, seguindo cada citação tão atrás quanto ela levasse. Onde um número não se conseguiu seguir para além da página de um fornecedor, este artigo di-lo em vez de o repetir.

Transparência: nós fazemos o Arti, um editor de plantas. Somos uma das empresas com interesse comercial em que estes números sejam grandes — e foi exatamente por isso que os verificámos.

Se conhecer um estudo mais recente, ou a fonte dos 52 % e dos 64 %, gostaríamos mesmo de o ver — contact@artiplans.com. Atualizamos esta página e citamo-lo.


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Fontes